“A liberdade está em vós. Não onde a buscais, mas
em vosso verdadeiro Eu. Porque é ele que transcende o tempo e o espaço,
e vos pode levar aonde quiserdes ir.
Assim, não estareis presos senão quando presos vos sentirdes.
E as correntes terão o peso que a elas atribuirdes.
Pois, assim como não percebeis a prisão do corpo e da gravidade,
a nada vos sentireis obrigados, se tudo fizerdes por vossa própria vontade
e com amor.
Se, ao contrário, o fizerdes com revolta, pesadas serão as vossas
correntes; e o seu peso findará por esmagar-vos.
Livre não é aquele que não tem obrigações,
mas o que as cumpre com alegria. Como não é aquele que pode estar
em todos os lugares, mas o que de lugar algum necessita.
Livre não é aquele que pode pegar o que quiser, mas o que pode
dizer com sinceridade: “- Sou feliz com o que tenho”. E não é aquele
que satisfaz todas as suas vontades, mas o que não se escraviza aos
seus próprios desejos.
Eu vos digo que, se um homem ama a sua prisão, ele será livre
em sua cela. Pois o que nele existe de mais verdadeiro não estará encerrado
entre paredes, mas envolto no amor. E viajará com o vento, cantando
as mais lindas canções e sentindo os mais doces perfumes.
E vos digo que aquele que não ama jamais será livre, ainda que
todo o mundo lhe pertença. Porque estará encerrado na prisão
do seu egoísmo, encarcerado na solidão de sua alma. E o seu Eu
não ouvirá as canções, nem sentirá os perfumes.
Tudo isto, eu vos digo. Todavia, não posso esperar que me entendais.
Pois estais demasiadamente presos aos vossos conceitos, e assim não
sois livres para encontrar as verdades.”